COVID-19 – O Impacto na Manutenção Preventiva de Equipamentos Médico-Hospitalares e de Apoio ao Diagnóstico

Com o avanço das tecnologias médicas hospitalares, a Engenharia Clínica passou a exercer uma importante função no controle da operação e gerenciamento do desempenho dos equipamentos nos serviços de saúde, colaborando assim para segurança da assistência prestada e sendo de grande importância para a estratégia no negócio. Nesse contexto, os planos de manutenção preventiva constituem uma ferramenta obrigatória para os gestores avaliarem os índices de disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos, considerando seu impacto direto na assistência ao paciente.

Segundo a Norma ABNT NBR 5462/199, define-se Manutenção Preventiva como: “manutenção efetuada em intervalos predeterminados, ou de acordo com critérios e normatizações prescritas, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item”. A execução dessas manutenções é realizada, quase sempre, por empresas terceirizadas que dispõem de equipes técnicas especializadas, atendendo aos requisitos legais vigentes, ou por estrutura organizacional própria profissionalizada.

Diante do cenário de crise, como o enfrentamento da pandemia COVID-19, onde medidas de combate como o isolamento social, tem sido uma das grandes preocupações na restrição ou interrupção desta prestação de serviço pelas empresas executoras dos serviços de manutenção preventiva. Considerando isso, essa nota traz à discussão alternativas a considerar diante de situações extremas, a fim de mitigar os possíveis impactos para a assistência ao paciente.

Alguns aspectos que podem ser ponderados para essa tomada de decisão:

  • Reclassificar os equipamentos em críticos, semicríticos e não críticos em relação ao perfil dessa nova população atendida;
  • Análise do plano de manutenção preventiva, identificando os equipamentos que estão com manutenção vencidas ou precisarão passar por manutenção nos próximos meses;
  • Considerar a substituição por equipamentos de backup (quando disponíveis) que estejam com a manutenção preventiva em dia, retirando da operação os que estão vencidos;
  • Levantamento do parque tecnológico, em relação a vida útil dos equipamentos críticos, relacionando a ocorrência de falhas dentro de um intervalo de tempo, que demandaram manutenções corretivas, apesar da execução das manutenções preventivas. Essa análise pode identificar a necessidade de alertas para funções específicas que precisem de maior vigilância e que poderão ter medidas de acompanhamento adicionais nas inspeções diárias;
  • Instituir critérios complementares para as rotinas de inspeção e controle de qualidade periódico, como aumentar a periodicidade dessas verificações frente à demanda de utilização;
  • Definir entre as equipes, os papéis e as responsabilidades pela execução e acompanhamento dessas medidas adicionais, a fim de evitar a fadiga com acúmulo de tarefas para as equipes assistenciais de linha de frente;
  • Estudar a viabilidade de produção dos equipamentos em decorrência ao aumento da demanda;
  • Revisar e gerenciar os estoques de insumos provenientes destas tecnológicas;
  • Manter a estabilidade das entradas de energia elétrica e analisar a capacidade de alimentação dos nobreaks;
  • Estudar a capacidade e estrutura de gases medicinais frente a maior quantidade de ventiladores mecânicos instalados nos leitos;
  • Manter os testes diários com os ventiladores de transporte e incluir como plano de contingência para os demais ventiladores;
  • Fazer cumprir as limpezas diárias, semanais e mensais recomendadas pelos fabricantes realizadas pela operação;
  • Validar diariamente os equipamentos laboratoriais através de controles internos comerciais ou “in house”;
  • Mapear os riscos no envio dos exames não habituais para os laboratórios de apoio, em relação a plataforma, técnica utilizada, prazo de entrega e logística;
  • Restabelecer as rotinas de manutenção preventiva assim que possível.

É importante ressaltar que essas são ações gerenciais para situação extremas e temporárias, que tem por finalidade minimizar os possíveis impactos assistenciais diante da falta de opção pelo serviço.

Comitê de Crise (Vídeo)
Equipamentos de proteção individual e seu uso racional – Contexto da COVID-19

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