A formação das equipes com foco no cuidado centrado no paciente e a pandemia

Formação das equipes e a pandemia

Segue o depoimento de um médico intensivista:

“Vejam…. Hoje atendi o telefone logo cedo na UTI. Queriam falar com a enfermeira Sílvia. Eu não a conhecia e pedi aos técnicos e enfermeiros que estavam perto, quem era a Sílvia. E começaram eles mesmos a perguntar uns para os outros se tinha alguma Sílvia ali…Uma Babel de técnicos do centro cirúrgico, da pediatria… enfermeiras recém-contratadas… Não tenho mais uma equipe. É um catado de quem está disponível para trabalhar…”

Durante o enfrentamento da pandemia pelo Coronavírus, os gestores e profissionais de saúde estarão envolvidos diariamente nos mais variados tipos de desafios e dilemas éticos. Um desafio se dá diante de uma difícil tomada de decisão na qual a obediência a um valor ético poderá ou não acarretar fortes consequências.

 Trata-se da escolha entre o bem e o mal, o certo e o errado. Enquanto um dilema se caracteriza quando dentro de uma situação na qual dois valores éticos se chocam, fazendo com que a escolha de um, leve à transgressão do outro. Esta é a escolha entre o bem e o bem, entre o certo e o certo. Note que diferente do que se pensa, os desafios ocorrem em maior número que os dilemas dentro das organizações de saúde.

É responsabilidades da governança, neste momento de crise, estabelecer regras, definir e modelar o sistema. Para isso, alguns valores como transparência, responsabilidade, equidade e prestação de contas precisam ser praticados para elevar o moral da equipe. É preciso eliminar, todo e qualquer tipo de assédio e diminuir a pressão excessiva.

O trabalho em equipe é essencial para o alcance e obtenção de bons resultados seja na área da saúde ou em qualquer organização. A comunicação, o bom relacionamento entre colaboradores, e a retenção de profissionais podem ser aprimorados, garantindo que três recursos estejam presentes.

  • Objetivos Significativos

 Um conjunto de objetivos convincentes que os membros da equipe compartilham responsabilidade e prestação de contas por alcançar, ajuda a criar um senso de propósito compartilhado, confiança e conquista coletiva.

  • Funções e responsabilidades claras entre os membros da equipe

Os membros da equipe precisam ter clareza sobre quais atividades precisam ser realizadas e quem é responsável por concluí-las. Isso é especialmente importante quando as equipes estão se formando, mas os papéis e responsabilidades podem mudar à medida que sua equipe amadurece e você conhece os pontos fortes de cada um. Essas funções e responsabilidades devem ser revisadas regularmente para garantir que as expectativas sobre como as coisas funcionariam sejam de fato como estão funcionando.

  • Reflita sobre como a equipe está trabalhando em conjunto

Todas as equipes se beneficiam de um tempo para refletir sobre como estão trabalhando juntas e como podem melhorar. Você pode fazer isso na forma de intervalos de tempo da equipe ou reuniões regulares, cobrindo os aspectos técnicos do trabalho e como as pessoas estão se sentindo. Esse tempo será desperdiçado, no entanto, se as pessoas não se sentirem capazes de contribuir livremente, independentemente de sua função ou posição na hierarquia de gerenciamento. Portanto, é importante criar um ambiente seguro para os integrantes se manifestarem.

  • Os médicos, que gerenciam diagnósticos e riscos incertos e oferecem atendimento destes pacientes com condições cada vez mais complexas, precisarão estar no centro dessas equipes.

 

  • Não existe uma fórmula mágica para estruturar a equipe “certa” na prática das emergências. A criação de uma equipe multidisciplinar parece ser tão importante quanto a composição da equipe. As evidências mostram que, em qualquer equipe, a mistura de profissões e profissionais deve ser capaz de responder às necessidades da população em questão, embora ainda seja pequena o suficiente para permitir que os membros se conheçam.
  • É preciso ter o entendimento claro das necessidades da população de pacientes e mapear as habilidades e conhecimentos dos membros da equipe existentes em relação a essas necessidades. Isso ajudará a identificar lacunas, que podem ser superadas de várias maneiras.
  • É improvável que novos profissionais coloquem suas habilidades em prática sem repensar o fluxo de trabalho. Para garantir que novos profissionais sejam incorporados à equipe, é preciso executar as seguintes etapas: 
  • descrever as diferentes tarefas atualmente realizadas pelos membros da equipe e quaisquer novas tarefas necessárias;
  • identificar quais habilidades são necessárias para concluir essas tarefas e quaisquer agrupamentos de tarefas importantes para manter juntos;
  • identificar as habilidades, pontos fortes e interesses de todos os membros da atual equipe; 
  • envolver a equipe (e os pacientes, se possível) na reformulação das formas de trabalhar para combinar tarefas às pessoas, com o objetivo de oferecer o melhor atendimento ao paciente e permitir o desenvolvimento pessoal e da equipe;
  • realize testes em pequena escala para experimentar novas maneiras de trabalhar, antes de se comprometer com a implementação completa.  
  • A integração da combinação certa entre os membros permitirá que a equipe funcione efetivamente.  

 

  • Qualquer que seja o método usado, o redesenho do fluxo de trabalho usando dados para demonstrar como as alterações no processo da equipe podem melhorar o atendimento ao paciente, ajudará a equipe a aceitar o modelo escolhido. É preciso deixar claro ao recrutar que são funções de um trabalho como parte de uma equipe e não como profissionais individuais.
  • A importância da comunicação dentro das equipes não pode ser subestimada. Com novos membros na equipe, mudança de papéis, equipes reestruturadas e espaços físicos redesenhados, pensar no fluxo de comunicação será o elemento mais importante a ser considerado.
    As pessoas se tornam mais resilientes e motivadas quando se sentem seguras. Isso pode aumentar com o tempo se os líderes incentivarem e desenvolverem uma comunicação respeitosa.
  • O uso de check-ins curtos e frequentes para discutir os pacientes e as tarefas do dia.  A introdução de novos profissionais afetará a continuidade dos cuidados, e o uso desta ferramenta poderá ajudar a reduzir este risco, discutindo questões específicas do paciente e esclarecendo as responsabilidades.
  • Os meios de comunicação digital, suportados por uma infraestrutura de TI robusta, são essenciais para o trabalho coordenado em equipe, e
    para que os profissionais possam acessar e compartilhar informações dos pacientes de forma integrada.

O princípio da liderança eficaz é criar um ambiente seguro, onde sejam incorporadas oportunidades de desenvolvimento profissional e reflexão sobre a prática. A clareza de papéis e responsabilidades é fundamental, mas também é preciso haver um foco na comunicação entre os membros da equipe e na maneira como o espaço físico é projetado para ajudar essas conversas. 

É necessário prestar atenção especial em como as pessoas que trabalham nessas novas funções serão apoiadas e gerenciadas. A supervisão clínica, deve ajudar a fazer isso. 

“A virtude moral é uma consequência do hábito. Nós nos tornamos os que fazemos repetidamente. Ou seja: nós nos tornamos justos ao praticarmos atos justos, controlados ao praticarmos atos de autocontrole, corajosos ao praticarmos atos de bravura.”

(Aristóteles).

Uso Seguro e Racional de EPIs – Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR)
O desafio da Telessaúde como suporte clínico, melhoria dos resultados e da gestão de acesso

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