Considerações sobre a Pandemia

Não tem sido fácil. Não mesmo. Mas a pandemia é real e está aí para ser enfrentada, de frente. A negação dessa realidade não ajuda em nada. A paralisia em função dela, seja por medo ou por qualquer outro sentimento, genuinamente humanos, ajuda menos ainda.

O que fazer então? Quais as alternativas? Seria muito audacioso, e talvez insensível até apontar um caminho. As pessoas são diferentes, as situações são únicas e os desafios de cada um e de cada empresa, muito diversos. Mas proporia “uma” ação, sim: refletir.

Momentos como o que estamos vivendo são propícios à reflexão, afinal de contas, mais ou menos do que deveríamos, nós nos recolhemos. E seguiremos assim um tanto mais. Porque não abusar, então, do seu direito a refletir para planejar o novo?

Há uma forte transformação em curso no mundo que conhecemos, inegável e incontrolável. E ao invés de tentar rotulá-la como negativa ou positiva, pois certamente haverá perdedores e ganhadores nesse processo, eu me perguntaria “como” participar dela. Tendo a acreditar que, na onda dessa transformação, muitos dos meus hábitos devem mudar; e dos seus; e dos deles também.

Ouso prever, com certa dose de comoção, que meu restaurante favorito não vai mais estar lá quando voltarmos; nem o hotel onde costumava passar bons momentos de relaxamento com a família; nem a empresa aérea que me considerava um passageiro fiel. Mas diria, por outro lado, e com uma esperança instruída, que meu médico estará mais próximo de mim, paradoxalmente, me acompanhando à distância.

As novas tecnologias de vídeoconsulta, os novos equipamentos de monitoramento individual e remoto, as novidades em serviços de atenção à saúde, serão um novo normal. Após tantos anos de aceitação subserviente do modelo de medicina curativa, daremos finalmente um salto em direção à medicina preventiva. O acompanhamento constante, recorrente e a aplicação assertiva do diagnóstico já se provou mais eficiente, mais barato e, agora, também “menos catastrófico”. Sim, é aqui que entra o clichê: a crise, ou melhor dizendo, dado o momento que estamos vivendo hoje, a “catástrofe”, indica oportunidades.

Não esperaria nada menos do que uma resposta assim para o mercado de saúde global. Mentes brilhantes trabalhando juntas para repensar protocolos, processos de atendimento ao paciente, medidas de prevenção. A busca pela saúde antes, para não acabar na tratativa da doença depois. Já seria uma conquista, considerável, esse “novo normal” na saúde.

Mas não pararia aqui. Com tantas inovações que nessa pandemia se tornaram “inevitáveis”, sonharia com o advento da medicina preditiva acessível a todos. Mas isso é coisa para refletir…

Odelio Rodarte Arouca Filho

CEO Micromed

Desafios, oportunidades e responsabilidades das empresas de saúde na era pós pandemia

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